domingo, 22 de janeiro de 2012

Constatações

Confesse, você já perdeu muito tempo enganado; um pouco pelos outros e muito por si mesmo.
Perde-se tempo agarrando-se àquele sonho que não traduz a realidade...
Enquanto cego segue até feliz dentro da sua mentira, aquela vida inventada.
Então um dia, acende-se A luz... E você enxerga sua realidade com tudo de pesadelo que há nela.
Obviamente constata que não lhe serve mais, e revira tudo, tira tudo do lugar, tentando em meio ao caos encontrar a si mesmo.
Se procurar bastante, acaba encontrando...
Daí parte para um novo começo, mas sempre calculando quanto de seu tempo foi gasto em vão. Investido em ações podres que te deixaram sem retorno, a semeadura que se transformou em colheita infrutífera; a vida não é justa e você precisa lidar com isso.
Depois de tecer inúmeras teorias sobre o assunto, você entende que esse tempo todo não foi só derrota, engodo ou farsa.
Foi um grande aprendizado sobre quem você é e de tudo que é capaz.
Capaz de fazer e não fazer, capaz de suportar, capaz de acomodar, movido pelas mais diversas forças que estejam atuando no momento, cada uma de sua vez ou todas juntas em turbilhão.
Você enxerga a si mesmo, mas agora não mais teme aquilo que vê.
Você se vê do alto da experiência de quem já esteve no inferno e sobreviveu, então, que de pior pode acontecer à frente? Nada! Um assomo de coragem lhe estampa no rosto o que lhe vai na alma.
E, sem medo, consegue escrever uma vida nova, e vivê-la de forma diferente... Se boa ou ruim, isso vai aparecendo pelo caminho, mas o substancial mesmo é que é diferente.
E isso já faz valer à pena aquela sua história toda...



sábado, 21 de janeiro de 2012

Pra seu Ninguém

Escrevo para o Sr. Ninguém
Hoje, Ninguém liga para a poesia...
Versos e rimas, dores e dissabores
Ninguém entende, Ninguém aprecia

Eu e Ninguém, teimosos que somos
Eu firme, escrevendo
Ninguém, dando atenção
Assim, seguimos juntos

Ninguém é minha grande companhia
Leitor fiel, crítico, participante
Ninguém partilha da minha loucura
Ninguém me acompanha em minha caminhada errante

De leve

No desenho que faço
Cerceando o espaço
Aos limites do meu traço
Com beleza enlaço
Da leveza, o aço