domingo, 17 de fevereiro de 2013

Stela Marina



Permanecia em seu porto seguro
Ali estava atracada havia anos
A vida conhecida, sem apuros,
Tudo conforme seus planos

Não havia planejado, contudo,
A angústia dessa vida de certezas
Tudo muito encaixado com tudo
Sem nenhum espaço para surpresas

Certa vez  uma tempestade não detectada pelo radar
Veio em turbilhão e pôs seu barco a balançar
E ele tanto foi sacudido, até parar em alto-mar

Stela tentava, em vão, sua rota controlar
Mas agora a tempestade que comandava em seu lugar
E acabou levando o barco por paragens que Stela jamais sonhara visitar

Em pouco tempo, seguiu-se a calmaria
Até um arco-íris ao longe reluzia
Stela então percebeu uma vida toda que não conhecia...

Passado o susto inicial, não desejava mais voltar
Na possibilidade de um caminho novo decidiu apostar
Ganhando ou perdendo, sabia, havia mais a vislumbrar...




sábado, 16 de fevereiro de 2013

Colóquio


Em meio a palavras supérfluas e desnecessárias
Nosso silêncio foi sendo quebrado de formas várias
Isso trouxe alguma movimentação à nossa superfície
Mas não à nossa essência; ao menos nada que se visse...

E nosso diálogo, sem ruído, era tão mais divertido sem som!
Talvez porque apenas vibrassem os olhos – e no mesmo tom.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Em boa companhia...




O rosto entre as mãos, os olhos em lágrimas
Deixei-me ali, chorosa, entregue aos meus queixumes
Até que me chamou a atenção um brilho súbito e...
Surpreendeu-me uma revoada de vaga-lumes!

Estranho, rente ao chão, mas sobre o gramado
Brilhavam suas luzes cor verde-esperança
Revoavam em estranha, mas graciosa, dança
Enquanto ao fundo grilos ‘cricrilavam’
A fazer pouco de minhas doloridas misérias
(Audácia! Saberiam eles o quanto são sérias?)

Até um louva-a-deus se aproximou para seu bom presságio me trazer
Vi-me em ótima companhia, tinha luz, sorte e sinfonia
A natureza me trazendo um afago em forma de alegria
Atônita, surpresa, encantada... Eu agora sorria.