sábado, 9 de abril de 2016

Introverso

À sombra de uma árvore
À beira do rio
Com um livro nas mãos
Tranquila, sorrio

A mente asserena
Em meio ao vazio
Se ordenam as ideias
Da meada acho o fio


Recupero a energia
Que perco em social convívio
Retomo calma alegria
Canto, me encanto, até assovio...

Restauro-me em paz isolada
Retomo a vitalidade drenada
Reabilito-me para nova jornada
Inteira, perfeita, completa
                                     renovada.



                                           




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Assim como nós

"Quem tem porquê viver, suporta quase qualquer como"
Friedrich Nietzche

Talvez Nietzche estivesse errado
Antes permanecesse calado...
Ah, ali está um 'quase' bem colocado
Afinal, nem tudo há de ser tolerado

O porquê já houve, absoluto, o maior de todos
Mas o como me fez abandoná-lo
O porquê era você e o como era distante
Como manter a sanidade nesse contexto extenuante?
E suportar a idéia de não tê-lo à todo instante?
Viver junto de longe e não sucumbir à saudade sufocante?

Resisti o quanto pude
Enquanto possível, iludi-me
Nosso futuro nunca se aproximava
E em um fantasma da minha vida eu me transformava...

Então, desisti

Para poder seguir em frente
Para trilhar o meu caminho
Para não enlouquecer só mesmo em sua companhia

Abracei o passageiro luto
Lhe enterrei na memória
Hoje aprecio o fruto
Maduro
Das lembranças de nossa história



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Crisálida

Lá vem Outubro, primaveril
Minha alma ainda tão outonal...
Vislumbro uma chance, sutil
De abandonar o limbo invernal

Permanece ainda intacto meu casulo
Minhas asas ainda sendo arrematadas
Diriam, pois, que me afasto ou me anulo
Suposição pobre e pré-formatada

Não posso revelar-me de qualquer maneira
Com ajustes ainda por realizar
Fatalidades surgem de forma sorrateira
Não posso imprudentemente me arriscar

Muitas vezes já caí, admito
Até tomar a cautela por aliada
Então me aprumo, estudo e reflito
Não há por que ser apressada

Quero o primeiro voo mais bonito
Início leve de uma nova jornada



domingo, 26 de julho de 2015

Aurora

Vacilante, de meus sonhos desço
Raia o dia e com ele amanheço
Vejo um sol que desconheço
Os meus instintos obedeço

Fecho os olhos e anoiteço





sábado, 25 de julho de 2015

Renúncia supérflua

Enclausurada, persisto muda e isolada
Os limites do meu corpo como grades
Encerram minha mente transtornada

Me debato e luto, grito quanto posso
Mas meu clamor surdo nem eu mesma escuto
Tão longe da cabeça o atormentado coração
Tão oprimido no peito enquanto apanha

Há ao meu lado uma chave e não consigo alcançar
A vontade frouxa é incompetente em acionar a mão
Que se mova, que estremeça, que se rasgue
Vontade nenhuma de nada ou coisa alguma possível

Chaves e portas de nada adiantam
Esse horizonte gasto não me serve
Minha rebeldia estúpida me sabota
Rodar em círculos o meu vagar concerne

Em minha diabólica auto-inquisição ardo
Queimo imóvel em lágrimas flamejantes
Sacrifício inútil dos meus dias debaixo do sol

Doce cárcere de espinhos afiados
Envolve-me qual manto sagrado
Ricamente bordado de sangue
De dores pungentes arrematado


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Não me olhe nos olhos

Mar profundo de tribulações internas
Quem me vê em silêncio não pode imaginar
O quanto grito e me rasgo por dentro...
Na superfície: nada a me incriminar

Fujo de mim mesmo sem sair do lugar
D. Realidade, ela teima em me agarrar
Com auxílio da jornada ainda a completar
Movida pelas diversas contas a pagar

O semblante calmo esconde uma alma em tormenta
O caos em mim reverbera, se retorce intempestivo
Me atravessa suave e me orvalha a pele
Escorre pela ponta dos dedos
Marca o papel em forma de palavra

Tudo o que sou
Tudo o que de mim não sei
Poemas sem sentido, consentidos
Que ainda escreverei...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Gatuno

Me rouba a paz e eu desatino
Fujo, me escondo, de nada adianta
Sua lembrança, qual fantasma, me persegue

Com suas mentiras me arrasta
Seus olhos me fazem promessas
Eu compro cada uma delas
Me decepciono
Eternamente purgo essa ressaca
De ti
E nunca é dor suficiente

Mitômano inconsequente
Do mal que causa, inconsciente
Nunca falseia o suficiente
Me pune e arrasa tenazmente

Eu luto e brigo comigo
Não deveria eu dar abrigo
Às memórias espectrais de ti

Só queria que sumisse de vez
Ou que ficasse de uma vez...
O "senão" é que me consome

Aos poucos

Lentamente...